Exmo. Sr. Ministro das Obras Públicas Transportes e Comunicações
Exma. Sr.ª Secretária de Estado dos Transportes
Exmo. Sr. Representante do Senhor Governador Civil de Santarém
Exmo. Sr. Presidente do Instituto Nacional do transporte Ferroviário
Exmo. Sr, Presidente do Conselho de Administração da REFER
Exmo. Sr. Presidente do Conselho de Gerência da CP
Minhas Senhoras e Meus Senhores.
Hoje, com a apresentação, por V. Exas., do Conselho de Administração da Fundação Museu Nacional Ferroviário - Armando Ginestal Machado, dá-se um importante passo na construção deste Museu Ferroviário, há décadas desejado pelas pessoas ligadas profissional ou afectivamente ao caminho de ferro.
Queremos agradecer a V. Exas., a prova de confiança demonstrada, ao sermos designados para desempenhar a gestão da Fundação.
A nossa nomeação é um sinal positivo, por significar que o processo está em movimento.
Vamos agora começar a trabalhar com firmeza e com determinação na concretização do nosso objectivo.
Temos uma estratégia, temos conhecimento e, fundamentalmente temos muita vontade.
Este ano perfaz 150 anos a inauguração do comboio em Portugal.
Boa efeméride para fazermos o arranque desta importante fase da construção do Museu Nacional Ferroviário.
De 1856 até hoje o comboio marcou a vida de imensas gerações. Umas mais outras menos. Mas, ninguém escapou nem escapa. Todos ainda estamos interligados ao caminho-de-ferro como elemento fundamental da nossa sociedade no domínio do económico, do social e do político.
Basta ver o destaque que as questões ferroviárias merecem sempre na comunicação social, onde muita gente, mesmo não possuindo qualquer conhecimento da técnica ferroviária, não deixa de expressar o seu ponto de vista sobre tal matéria.
É interessante verificar-se essa tomada de posições até por pessoas que muito pouco ou mesmo nada utilizam o comboio.
Na nossa opinião isso nada mais é do que uma prova indubitável do interesse que o caminho-de-ferro e a sua mística, despertam em toda a gente.
A Fundação tem um Programa Museológico Preliminar, em boa hora elaborado pela Comissão Instaladora. O nosso primeiro passo é o de transformá-lo em Programa Definitivo, que estabeleça metas, custos, prazos e níveis de qualidade e que contemple não só a área Museológica do Entroncamento mas também os dez Núcleos Museológicos existentes.
Não devemos esquecer que o Museu é de âmbito nacional estendendo-se de Norte a Sul do país. Como tal os núcleos referidos serão também alvo da nossa especial atenção, enquadrando-os no mesmo plano de objectivos e com o mesmo grau de exigência que para a área central. Como, aliás, não podia deixar de ser.
Espera-nos muito trabalho e estamos preparados até para algumas discordâncias em relação a prioridades nossas. Poderão também surgir algumas incompreensões a decisões e critérios de implementação de métodos de actuação, que não se enquadrem exactamente nos pontos de vista de outras pessoas interessadas. È natural que assim suceda e ainda bem, pois é na diferença que surge muitas vezes o esclarecimento.
Agradecemos todas as opiniões que serão devidamente ponderadas.
Nesta fase e também nas futuras, necessitamos muito de quem nos queira ajudar, na exacta medida que dispensamos quem produza "ruído de fundo" sem qualquer mais valia.
Para que este êxito seja alcançado é determinante haver a correspondente capacidade financeira para levar a cabo os projectos e a preparação dos espaços museológicos, com principal relevo para o do Entroncamento.
Vai forçosamente demorar alguns anos até alcançarmos a realização total do projecto. Se é que alguma vez ele estará terminado.
Para se obter essa capacidade financeira teremos de recorrer à ajuda e ao mecenato cultural das empresas amigas, começando pelo núcleo de fundadores que, tendo já assumido os encargos necessários ao lançamento do projecto, não deixará concerteza de manter o seu apoio para as fases seguintes.
Estamos, no entanto, expectantes quanto ao aparecimento de outras empresas que desejem assumir quota-parte no interesse nacional da construção do Museu Nacional Ferroviário. Iremos também trabalhar nesse sentido
Todas elas serão bem vindas e recebidas de braços abertos:
Merece, uma referência especial o apoio que à CP e à REFER vai ser por nós solicitado e para o qual pedimos desde já a melhor compreensão.
São as duas empresas-mãe de todo este processo (hoje são duas mas no passado recente era só uma). Em boa verdade o Museu Ferroviário é uma imanência destas empresas, constituindo como que mais um ramo da sua própria actividade.
Sem a sua ajuda empenhada muito dificilmente alcançaremos os objectivos pretendidos.
Também a autarquia da cidade ferroviária do Entroncamento, com direitos e com as inerentes responsabilidades, certamente nos ajudará, participando activamente na sua implementação e manutenção.
Neste nosso apelo e desejo não ficam de fora as autarquias em cujas áreas existam núcleos museológicos.
Estando estes elementos de cultura ao serviço dos seus munícipes, lógico é que contribuam também para a sua valorização.
Desde Bragança, Chaves, Valença, Arco de Baúlhe, Braga, ou Lousado, no Norte até Lagos, no Sul, passando por Macinhata do Vouga, Santarém ou Estremoz, todas elas serão solicitadas para nos ajudar a consolidar este espaço museológico ferroviário distribuído pelo país.
Mas enfim, como diria o poeta, o " caminho faz-se caminhando", e nós estamos com determinação e com muita vontade em caminhar.
O Museu Nacional Ferroviário será o repositório da memória histórica ferroviária, tanto na componente tecnológica, como na cultural e até na social.
A importância desta memória é bem medida pelas referências literárias que os nossos maiores escritores sempre dispensaram ao comboio.
O Museu vai permitir que a importância do comboio no desenvolvimento do país, não seja olvidada pelas gerações vindouras. Não nos esqueçamos que o moderno comboio de hoje será a glória do passado, no futuro.
Poderemos até dizer que será natural prever na Área Museológica do Entroncamento um espaço para acolhimento de uma composição pendular.
Possivelmente o CPA 4001, por ter sido o primeiro e por isso um dia, ele será peça de museu, como outras máquinas o são agora e que foram consideradas as " jóias da coroa", na sua época.
Iremos encontrar no Museu outros tipos de comboios, herdeiros das gloriosas máquinas do princípio do século XX.
Poderemos aperceber-nos aí das magníficas transformações que este modo de transporte sofreu durante aquele século.
Do Vapor ao Diesel e do Diesel à Electricidade, o comboio trilhou linhas de desenvolvimento de elevadíssimos níveis tecnológicos, de segurança, velocidade e comodidade, em relação ais quais, muitas vezes, não nos apercebemos da sua magnitude, possivelmente por esse desenvolvimento se ter processado ao longo da nossa vida e ao nosso lado.
Tudo isso pretendemos que seja contemplado no nosso Museu.
Compete-nos a nós preparar, hoje, no presente, para oferecer ao futuro, a memória do passado.
É esse o nosso compromisso.
Muito Obrigado pela vossa atenção.
Entroncamento, 24 de Março de 2006